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Ele passou 20 anos morando nos Estados Unidos, lutando para encontrar
seu lugar dentro da fotografia. E conseguiu. Há seis voltou
definitivamente para o Brasil. Nesse tempo, além de ter
produzido matérias e capas para as mais importantes publicações
nacionais e estrangeiras, Edinger tem se dedicado à publicação
de livros. Nos últimos quatro anos, publicou seis. Sua
fotografia se destaca pela interferência clara do fotógrafo
no assunto fotografado. Ele procura se envolver ao máximo
com o objeto fotografado. É uma fotografia deliberada,
criada junto com o fotografado. É um trabalho documental,
seu olhar sobre diversos temas, um retrato da sociedade e da cidade.
Claudio Edinger está lançando nesta quinta-feira,
29 de março, seu mais recente trabalho, o livro Cityscape.
Antes disso, porém, ele conversou com o Fotosite.
Fotosite:
Nos últimos anos você tem se dedicado à publicação
de livros. Você acha que essa é uma saída
para os fotógrafos?
Claudio Edinger: Não. Talvez seja a saída
para alguns fotógrafos. Eu sempre quis publicar livro.
É isso que me interessa e me agrada. Para quem trabalha
com fotojornalismo, como eu, muitas vezes a fotografia é
frustrante. Nos jornais, nas revistas ela é efêmera,
dura pouco por definição. Já o livro é
eterno. Para mim, a fotografia atinge sua melhor forma no livro.
Fotosite: Muito mais do que numa exposição...
Edinger: Muito mais do que em qualquer outro lugar. O livro,
assim como a fotografia, é algo contemplativo, que leva
à reflexão. A fotografia é o instante, o
momento. Esse momento publicado em livro permanece. Acredito que
as respostas nascem da contemplação. É maravilhoso
você poder folhear um livro, aprender, ver, conhecer. No
dia seguinte olhar esse mesmo livro e perceber novos detalhes,
novas histórias. Para mim isso é fascinante.
Fotosite: E o que você acha então dos livros
na Internet, os famosos e-books. É um mercado em crescimento?
Edinger: Desculpe, mas para mim isso não funciona.
O livro na Internet, até pelo que já disse antes,
não atende certas necessidades que tenho. A fotografia
na Internet também é efêmera, é rápida.
Eu não gosto de ver livros na Internet. Estou falando por
mim, é claro. Preciso do objeto na mão e da eternidade
do livro, do manuseio, de ler, carregar, ver, enxergar coisas
novas a cada vez que folheio uma publicação.

Fotosite: Vamos falar então desse seu novo livro, Cityscape,
esse passeio pelas ruas de Nova York.
Edinger: É o resultado de fotos que fui fazendo
durante sete anos. E agora, acho que ele é o livro ou são
as fotografias mais diferentes que fiz até hoje.
Fotosite: Por quê? Não consigo ver essa diferença.
Seu estilo está lá. Seu olhar documental também.
Os retratos que você coloca em primeiro plano...
Edinger: Nesse ponto de vista sim. Apesar de eu ter me
descoberto retratista, sempre misturei as duas linguagens: o retrato
e o momento decisivo tão comentado por Cartier-Bresson.
Mas aqui, nesse trabalho, na verdade, eu não domino tanto
a cena como nos outros ensaios que fiz.
Fotosite:
É você passeando pela cidade, tá certo, mas
é seu olhar, não tem dúvida...
Edinger: O que eu estou querendo dizer é que nesse
trabalho existe um aprofundamento na minha maneira de ver, de
olhar. Quando comecei como fotojornalista, não sabia que
iria me tornar retratista. Descobri o retrato e gostei, mas também
sempre fui atrás do momento decisivo, deste momento em
que tudo se harmoniza e você sabe que a imagem está
aí na sua frente. Nesse trabalho eu tenho a união
dos contrastes: os retratos e a paisagem urbana, da cidade. A
temática talvez não seja diferente dos meus outros
livros, mas a maneira de ver e fotografar sim. Esse trabalho foi
uma surpresa muito agradável para mim.
Fotosite: Além dos livros, onde podemos ver suas fotos
hoje?
Edinger: Praticamente nas revistas. Fiz um belo ensaio
sobre o Carandiru para a Veja, também tenho fotos na Marie
Claire, na Elle e na revista da Daslu. Agora estou fazendo uma
reportagem para o jornal L'Express francês.
Fotosite: Bom, e agora, quais seus novos projetos editoriais.
Afinal você não pára e engatilha um no outro.
Edinger: Estou com meu livro sobre a Índia quase
pronto. Também estou fazendo um grande ensaio sobre religiões
e pensando em fazer um trabalho sobre a cidade do Rio de Janeiro.
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Saiba como Claudio Edinger se tornou
fotógrafo
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