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Arquivo Matérias - 2000 / 20002

Ele passou 20 anos morando nos Estados Unidos, lutando para encontrar seu lugar dentro da fotografia. E conseguiu. Há seis voltou definitivamente para o Brasil. Nesse tempo, além de ter produzido matérias e capas para as mais importantes publicações nacionais e estrangeiras, Edinger tem se dedicado à publicação de livros. Nos últimos quatro anos, publicou seis. Sua fotografia se destaca pela interferência clara do fotógrafo no assunto fotografado. Ele procura se envolver ao máximo com o objeto fotografado. É uma fotografia deliberada, criada junto com o fotografado. É um trabalho documental, seu olhar sobre diversos temas, um retrato da sociedade e da cidade. Claudio Edinger está lançando nesta quinta-feira, 29 de março, seu mais recente trabalho, o livro Cityscape. Antes disso, porém, ele conversou com o Fotosite.

Fotosite: Nos últimos anos você tem se dedicado à publicação de livros. Você acha que essa é uma saída para os fotógrafos?
Claudio Edinger: Não. Talvez seja a saída para alguns fotógrafos. Eu sempre quis publicar livro. É isso que me interessa e me agrada. Para quem trabalha com fotojornalismo, como eu, muitas vezes a fotografia é frustrante. Nos jornais, nas revistas ela é efêmera, dura pouco por definição. Já o livro é eterno. Para mim, a fotografia atinge sua melhor forma no livro.

Fotosite: Muito mais do que numa exposição...
Edinger: Muito mais do que em qualquer outro lugar. O livro, assim como a fotografia, é algo contemplativo, que leva à reflexão. A fotografia é o instante, o momento. Esse momento publicado em livro permanece. Acredito que as respostas nascem da contemplação. É maravilhoso você poder folhear um livro, aprender, ver, conhecer. No dia seguinte olhar esse mesmo livro e perceber novos detalhes, novas histórias. Para mim isso é fascinante.

Fotosite: E o que você acha então dos livros na Internet, os famosos e-books. É um mercado em crescimento?
Edinger: Desculpe, mas para mim isso não funciona. O livro na Internet, até pelo que já disse antes, não atende certas necessidades que tenho. A fotografia na Internet também é efêmera, é rápida. Eu não gosto de ver livros na Internet. Estou falando por mim, é claro. Preciso do objeto na mão e da eternidade do livro, do manuseio, de ler, carregar, ver, enxergar coisas novas a cada vez que folheio uma publicação.

Fotosite: Vamos falar então desse seu novo livro, Cityscape, esse passeio pelas ruas de Nova York.
Edinger: É o resultado de fotos que fui fazendo durante sete anos. E agora, acho que ele é o livro ou são as fotografias mais diferentes que fiz até hoje.

Fotosite: Por quê? Não consigo ver essa diferença. Seu estilo está lá. Seu olhar documental também. Os retratos que você coloca em primeiro plano...
Edinger: Nesse ponto de vista sim. Apesar de eu ter me descoberto retratista, sempre misturei as duas linguagens: o retrato e o momento decisivo tão comentado por Cartier-Bresson. Mas aqui, nesse trabalho, na verdade, eu não domino tanto a cena como nos outros ensaios que fiz.

Fotosite: É você passeando pela cidade, tá certo, mas é seu olhar, não tem dúvida...
Edinger: O que eu estou querendo dizer é que nesse trabalho existe um aprofundamento na minha maneira de ver, de olhar. Quando comecei como fotojornalista, não sabia que iria me tornar retratista. Descobri o retrato e gostei, mas também sempre fui atrás do momento decisivo, deste momento em que tudo se harmoniza e você sabe que a imagem está aí na sua frente. Nesse trabalho eu tenho a união dos contrastes: os retratos e a paisagem urbana, da cidade. A temática talvez não seja diferente dos meus outros livros, mas a maneira de ver e fotografar sim. Esse trabalho foi uma surpresa muito agradável para mim.

Fotosite: Além dos livros, onde podemos ver suas fotos hoje?
Edinger: Praticamente nas revistas. Fiz um belo ensaio sobre o Carandiru para a Veja, também tenho fotos na Marie Claire, na Elle e na revista da Daslu. Agora estou fazendo uma reportagem para o jornal L'Express francês.

Fotosite: Bom, e agora, quais seus novos projetos editoriais. Afinal você não pára e engatilha um no outro.
Edinger: Estou com meu livro sobre a Índia quase pronto. Também estou fazendo um grande ensaio sobre religiões e pensando em fazer um trabalho sobre a cidade do Rio de Janeiro.

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Saiba como Claudio Edinger se tornou fotógrafo